Ontem chorei. Por tudo que fomos. Por tudo o que não conseguimos ser. Por tudo que se perdeu. Por termos nos perdido. Pelo que queríamos que fosse e não foi. Pela renúncia. Por valores não dados. Por erros cometidos. Acertos não comemorados. Palavras dissipadas.Versos brancos. Chorei pela guerra cotidiana. Pelas tentativas de sobrevivência. Pelos apelos de paz não atendidos. Pelo amor derramado. Pelo amor ofendido e aprisionado. Pelo amor perdido. Pelo respeito empoeirado em cima da estante. Pelo carinho esquecido junto das cartas envelhecidas no guarda- roupa. Pelos sonhos desafinados, estremecidos e adiados. Pela culpa. Toda a culpa. Minha. Sua. Nossa culpa. Por tudo que foi e voou. E não volta mais, pois que hoje é já outro dia. Chorei. Apronto agora os meus pés na estrada. Ponho-me a caminhar sob sol e vento. Vou ali ser feliz e já volto.
Caio Fernando Abreu




No dia 20 de novembro de 2011, um domingo qualquer, saí de casa, como tantas outras vezes. Mas, neste dia em especial, fui ali ser feliz!
Einstein, explicando a relatividade geral à sua secretaria, disse: se me sento numa chapa quente por um segundo, será uma eternidade; mas, quando a vejo aqui no escritório, o tempo passa rapidinho...
Aquele domingo (ontem) voou!!!!!
Ah, mas duvido que esse texto, acima, seja mesmo de Caio Fernando de Abreu.